Author: Patricia
•sexta-feira, julho 09, 2010

clip_image003Esta semana deparei-me com um artigo curioso. Ainda decorre o mundial em África do Sul e já se coloca em causa a viabilidade dos estádios construídos para o efeito.

Os custos de manutenção implicariam que os estádios enchessem completamente 12 a 15 vezes por ano, o que se torna um pouco irrealista num país em que o futebol dá lugar ao rugby na categoria de desporto rei.

A solução poderia passar pelo rugby, no entanto as equipas já têm os seus próprios estádios, não se encontrando muito dispostas a aumentar os seus custos. Paralelamente alguns estádios não possuem nenhuma equipa nas proximidades.

Poderia pensar-se que se trata de um caso particular, mas vejamos o que acontece no nosso pequeno país à beira mar plantado, onde futebol é tema de conversa para pelo menos 50% da população (assumindo uma distribuição proporcional entre os sexos).

Pois bem, o euro 2004 deu origem a dez novos estádios, cujo custo de financiamento foi suportado por empréstimos contraídos pelas câmaras municipais (com algum apoio governamental, obviamente).

Pois bem, o balanço a Fevereiro deste ano era o seguinte:

Aveiro

Com o Beira-Mar na liga de honra o aproveitamento do estádio tornou-se um problema. Depois de ter sido ponderada a demolição do estádio, que acabou por ser descartada, continua no entanto em cima da mesa a possibilidade de vender o nome do estádio ou de concessionar a infraestrutura. A inexistência de área comercial e as dificuldades em aproveitar as salas extradesportivas (devido a problemas resultantes da própria construção) agravam o problema de aproveitamento do estádio.

Coimbra

A Câmara Muncipal continua a arcar com os juros elevadíssimos apesar dos custos de manutenção já serem suportados pela Académica. No entanto as receitas que o estádio gera não são suficientes para fazer face aos custos. Inclusive, o presidente do clube já sugeriu a construção de um novo estádio, mais pequeno e com custos de manutenção substancialmente menores.

Leiria

Afixada a placa para venda. Compradores potenciais? Talvez empresários espanhóis ou árabes. A única mais valia passa pelo topo norte, usado como bancada amovível durante o Europeu, e com a potencialidade de ser usado para a instalação de serviços. A situação financeira é agravada pela derrapagem dos custos durante a obra.

Faro:

O estádio continua sem equipa, sendo apenas esporadicamente utilizado. No entanto há a esperança que uma nova área comercial se localize junto ao mesmo.

Braga

Corresponde à Câmara Municipal mais endividada, correspondendo os juros a 6% do seu orçamento. A câmara tem ainda de pagar as despesas de manutenção, apesar dos custos com água, electricidade,etc estarem a cargo do Sporting de Braga (assim como as receitas resultantes da venda do nome do estádio).

Portanto o problema verificado em África do Sul já ocorreu anteriormente, numa realidade tão próxima como a nossa, com pelo menos 5 dos 10 estádios catalogados como elefantes brancos.

Entretanto é ponderada a candidatura à organização do Mundial 2018, em parceria com a Espanho. O aspecto curioso? Parte dos estádios actualmente existentes em Portugal não se qualifica já que a Fifa exige um mínimo de 40 mil lugares.

 

clip_image002É assim que se gasta dinheiro neste país.

Curiosidade: a origem da expressão elefante branco remonta ao antigo Sião, no século XVI. Quando o rei local se encontrava insatisfeito com algum elemento da corte oferecia-lhe um elefante branco, passando posteriormente a visitá-lo inesperadamente para confirmar o tratamento dado ao animal. Foi assim que a expressão começou a ser usada para mencionar um presente incómodo e indesejado e posteriormente para designar coisas enormes e incomuns que ninguém sabe para que servem.

Fontes:

http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=433509

http://www.publico.pt/Local/retratos-dos-estadios-do-europeu_1421649

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1 coisas que dizem por aí...:

On 13 de julho de 2010 às 17:48 , Patricia disse...

E mais uma nota:
Augusto Mateus, antigo ministro da economia, sugere demolição do estádios do Euro 2004.

http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=434499