Hoje decidi sentar-me junto ao velho baú. Passei-lhe a mão com carinho, mesmo ficando com os dedos cheios de pó. Com cuidado destranquei o fecho, com alguma força levantei a tampa pesada.
Quando destapei a tampa sorri. Do fundo do baú sorriam-me tantas memórias!
Nas mais recentes uma música outrora cantada ao ouvido. Umas conversas cheias de picardias. Uns momentos cheios de doçura ou paixão.
Festas e risos com os amigos. Tardes em família. Viagens em erasmus.
Mas recuando…
Conversas quando andando pela rua. Onde estamos a ir? Não sei, estava a seguir-te, não eu é que te estava a seguir!
Recuando…
Tardes num clube secreto. Tardes de subir às árvores, de acender velas, de organizar peddy papers.
Recuando…
Saltar a corda, bolas saltitonas, diablos, fazer o pino, jogos de bate pé, as bravo, as super pop ou as marias, e qualquer outra moda que tenha enfeitado o nosso básico.
As guerras de cócegas, as explorações às pilhas de palha, às árvores caídas, aos sótãos velhos e ás estruturas das casas.
Recuando…
As casas das barbies, as casas dos mini dinossauros, a playmobil, as escondidas no meio do milho, as tendas, os mundos dos príncipes e princesas.
O jogo dos tubarões, as horas de almoço a explorar casas em construção, a recolha de ovos de dinossauros.
Os domingos à tarde na casa dos avós, com brincadeiras que não acabavam mais. As diferentes épocas na fazenda com jogos e mais jogos.
Tantas, tantas recordações!!
Não podemos viver do passado. Mas por vezes temos que limpar o pó do velho baú e dar-nos ao luxo de deixar um sorriso tomar conta dos lábios. Sem sabermos de onde vem, sem tentarmos evitar. Só porque vivemos em tempos, e agora recordamos.
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