Author: Patricia
•quarta-feira, março 02, 2011
Era uma vez uma casa nova, soalheira e bem disposta.


Janelas altas e luminosas, protegidas por portadas altas e robustas.

Tudo corria bem, a menina vivia feliz, até ao dia em que decidiu tentar fechar a portada.

Foi uma luta inglória. A menina ateimava para um lado, a portada ajudada por um trinco e pelo vento para outro.

Valeu-lhe um cavaleiro de passagem, durante a pausa dos seus afazeres.

Mas a folga do cavaleiro eventualmente acabou. E o problema manteve-se. Agora a menina tem que descobrir outra maneira de fechar a janela.

Um visitante que a noite trouxe fez a sua tentativa. Também o seu esforço pereceu sem sucesso. A portada continuou a marcar pontos.

Foi a vez do progenitor. De esticão conseguiu fechar. Mas decidiu ir mais longe, e um engenho magicar.

Como ferramentas cordão e batata. Cordão para não abrir, batata para não fechar. Uma tentativa, duas tentativas, e temos um sistema a funcionar. Belo e perfeito. E a menina já consegue fechar a portada.

Pela manhã, abre feliz a portada, usando devidamente o cordão e a batata. Sai de casa deixando o quarto luminoso e feliz.

Porém….

Quando retorna no final de um dia trabalhoso….

Dá com a portada aberta, cordão quebrado, batata caída.

E a portada que pensara ter enganado a rir-se descarada!

Assim a menina deu-se por vencida.

Deixou a portada aberta, sem força para a fechar, e remeteu-se ao mar de lençóis, certa que pela manhã acordará mais cedo do que devido. Cortesia da portada!
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