Hoje chamou-me particularmente a atenção uma noticia do Publico onde é referido que o Governo pretende tomar medidas para que os médicos trabalhem exclusivamente no sector público. Na minha opinião este é um assunto que deve ser estudado, mas acerca do qual não se podem tomar atitudes precipitadas.
Por um lado temos que considerar o problema que se coloca, que é bastante sério: o conflito de interesses. Provavelmente toda a gente conhece histórias de médicos que atenderam pacientes no sector público e que transferiram o seu tratamento para o privado, por conta do doente obviamente. No meu caso esta situação ocorreu quando a minha avó foi operada a um joelho. Mas por outro lado, muitas das vezes são os próprios pacientes que preferem. Como é que alguém com uma doença que progride rapidamente pode aceitar sujeitar-se às enormes filas de espera? Podemos alegar que as filas existem por os médicos dividirem o seu tempo entre o sector privado e público, mas nesse caso não estariamos a ser justos. Na realidade, aliado a esse problema existem muitos outros estruturais.
A principal questão que se coloca é se os médicos forem obrigados a optar, será que os mais qualificados não vão optar pelo sector privado? Será que não vamos piorar ainda mais a situação? Para que tal não aconteça é necessário criar um sistema de incentivos adequado, mas será que o sistema de saúde tem capacidade financeira para o tornar viável? Sinceramente tenho sérias dúvidas, porque apesar de nos queixarmos constantemente do prçeo dos exames, consultas, medicamentos, o facto é que apenas pagamos uma pequena parte dos custos associados ao tratamento médico. Enquanto esta é a situação no sector público, sabemos que no sector privado um médico ganha 50€ 60€ 70€ por cada consulta, por vezes consultas de 15 minutos ou menos. Portanto, trata-se de um assunto extremamente sério, que tem que ser considerado sim, mas não de ânimo leve, já que são vidas que estão em jogo.
Ainda relacionado com este assunto, algo que acho que se deveria mesmo fazer era combater os lobbies e abrir mais vagas nas licenciaturas em medicina. Todos os anos alunos brilhantes do secundário ficam à porta, alguns deles tendo verdadeira vocação, ao mesmo tempo que temos que recorrer a médicos espanhóis. Não faz o minimo sentido, nesse sentido deve-se sim acabar com as elites. É claro que o número de vagas também tem que ser contrabalançado, ninguém quer põr a sua vida nas mãos de alguém que nem tem responsabilidade para tratar dos seus próprios estudos.
Nota: Se quiserem consultar a noticia: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1336841
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