Author: Patricia
•segunda-feira, julho 14, 2008

O relógio está  avançado nas horas, o novo dia ainda não raiou. O céu cintila com o brilho das estrelas, tão perto e tão distantes,  tornando mais aconchegante a noite tépida. Um bando de individuos: alguns conhecem-se desde sempre, outros só se conheceram nessa noite ou apenas se cruzaram uma ou duas vezes, outros nem mesmo isso. Mas apesar da diversidade reina uma atmosfera de paz, de cumplicidade, gerando bem estar e acordando nos corações a vontade de que esse momento não acabe nunca. A água, azul com os reflexos dos azulejos escolhidos cuidadosamente, mas escurecida pelas sombras da noite. Tudo unido num momento, o que poderia ser apenas mais um mergulho na piscina, tornando-se num momento para recordar. O despertar da consciência que se está a viver um momento único, que não se voltará a repetir.

O arrastar lento das horas... A música ensurdecedora de uma banda de qualidade duvidosa, entoando músicas também elas duvidosas. Músicas que penetram nos nossos cerébros tranformando os nossos sonhos em pesadelos. Uma multidão de pessoas, que esquece as agruras do dia a dia, por ser dia de  festa, por um dia as dietas são esquecidas e corre cerveja a rodos, acompanhando os nacos que restam do que em tempos foi  um suíno. Fios de conversas interligam-se formando uma teia emaranhada, de onde apenas se discerne a inveja e o maldizer. Enquanto isso, a éfige da santa em honra da qual a festa foi realizada, encontra-se placidamente recolhida na capela improvisada. Enquanto me encontro presa nesta realidade, sem escape possível, sou assolada por um sentimento avassalador de desperdício, com tantas actividades excitantes à espera no mundo exterior, encontro-me  presa numa realidade que nada me diz. Refugio-me na tecnologia, que me afasta por momentos.. mas ainda assim persiste a impotência, o sentimento de que esse tempo poderia ser utilizado de mil e uma maneiras, todas elas mais proveitosas.

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