Author: Patricia
•quinta-feira, janeiro 13, 2011

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Quando olho ao meu redor vejo laranja, castanho, verde, rosa, vermelho.

Quando tu olhas em teu redor vês azul, branco, preto, grená.

Mas tu e eu estamos no mesmo local.

Tu e eu estamos lá, estivemos lá. Mas o que eu vi, mas o que eu vejo, é diferente do que tu viste, do que tu vês.

Tu dizes que viste azul, e eu, que vi vermelho, eu digo-te que és daltónico. E tu devolves-me o cumprimento. E ficamos assim, uma e outra vez, a trocar acusações e ofensas, porque para mim é vermelho, porque para ti é azul.

Eu peço que uma amiga verifique se é vermelho, tu eventualmente fazes o mesmo. A minha amiga diz que é vermelho, o teu amigo eventualmente diz que é azul.

Se a minha amiga disser que estamos ambos errados, que é branco, e se o teu amigo até concordar com ela, é irrelevante.

Porque eu não pedi uma segunda opinião, eu pedi que alguem me dissesse que o vermelho que eu vejo é vermelho. E tu pediste que alguém te dissesse que o azul que vês é azul.

Porque às vezes vejo azul. Ou mais preto. Mas não importa. Porque quero vermelho, porque sinto vermelho. E porque quero e porque sinto então vejo.

E é sempre assim. Vejo o que sinto. E quando vejo, sinto de acordo.

Pode até ser preto. Mas gostava que fosse vermelho.

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