Author: Patricia
•domingo, outubro 10, 2010

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As personagens mudam. O argumento é diferente. Mas o problema de fundo é sempre o mesmo.

Um destes dias um rapaz disse-me “vocês raparigas são mesmo burras”. Eu fiz aquela cara, acho que não preciso de explicar. Mas ele tem razão. Nós raparigas, somos mesmo burras.

Fazemos um esforço enorme para nos enganarmos a nós próprias. Arranjamos desculpas para não fazer o que tem que ser feito. Para não dizer o que tem que ser dito. Repetimos vezes sem conta: “chega, desta vez é que é, não aguento mais”. Mas depois na altura H falta-nos a coragem. Não fazemos o que temos que fazer, não dizemos o que temos que dizer. E o tempo passa, e a história é sempre a mesma. Repetimo-la vezes e vezes sem conta, até as nossas amigas já não nos poderem ouvir, até nos fartarmos de nós mesmas. E mesmo assim não conseguimos fazer nada. Precisamos que sejam eles a dar-nos a chapada que nos acorda para a realidade. É assim, queremos acabar por cima, mas nunca conseguimos, porque nunca fazemos o que tem que ser feito.

Estou chateada comigo. Estou chateada com o sexo feminino de maneira geral. Porque contestamos, ganhamos o poder de voto, ganhámos um papel activo na sociedade, mas continuamos a ser burras.

Quero dizer chega. Mas a verdade é que não tenho tomates para isso. Mas também já não tenho paciência para este meu eu melodrámatico que repete vezes sem conta a mesma cantilena.

Gostava de poder dizer que com este post que – é desta. Mas é capaz de não ser. Porque quando tentar falar provavelmente não vai parecer a maneira certa de dizer, a altura certa para o fazer. Porque sou cobarde e não quero ouvir o que sei que vou ouvir. Porque às vezes penso, bem do mal o menos, também não quero perder tudo. Pelo menos até me magoar outra vez e voltar a fazer um discurso nesta linha.

Deus!!! Sou tão burra!!!

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