Author: Patricia
•quinta-feira, agosto 28, 2008

Poderia ter sido ontem, mas já faz um ano que parti numa aventura chamada erasmus. É tão estranho estar aqui em frente ao meu computador e pensar que há um ano atrás tinha acabado de partir à descoberta de um mundo completamente novo: viver noutro país, com outra lingua, com pessoas diferentes, viver sozinha... Foram tantos os medos e os receios: será que me vou integrar? E se houver reclamações do meu inglês e não me deixarem fazer as cadeiras?

Recordo-me tão nitidamente daqueles primeiros dias... A chegada, o meu corredor e quarto e vazios, o facto de ainda não ter internet e o isolamento que daí surgiu, a busca incessante pela bicicleta :-) E por outro lado o jantar no Thee Heree assim que lá chegámos, com as 3 portuguesas e um sueco na mesa, o conhecer imensas pessoas ao mesmo tempo e tentar recordar os nomes, o tentar pronunciar o nome de um dos turcos, o espanto que foi perceber que toda a gente queria conhecer toda a gente e que até me safava com o inglês :-) O concurso de shots naquele primeiro andar apertado, a volta pelos bares, o rafting, o cantus, o bowling, a visita às caves :-) Tantos momentos com tantas pessoas diferentes :-)

As primeiras viagens, o encantamento que foi entrar na praça central de Bruxelas e nas chocolatarias. Bruges com o seu aspecto mágico. A Disney, que me fez sentir como se tivesse outra vez dez anos. A magnitude da catedral de Colónia ou de Viena. O aspecto cosmopolita de Antuérpia, juntamente com o seu trânsito caótico. O cheiro de Amsterdão. A simplicidade de Valkenburg. A história de Berlim. E a beleza de Maastricht.

Um mundo completamente novo que só pode ser completamente comrpeendido por quem teve a oportunidade de o vivenciar.

Recordo-me da entrada na rotina. De ter centenas de páginas para ler, de acordar de manhã entrar na minha cozinha caótica, tomar o pequeno almoço e partir de bicicleta para a faculdade.

Recordo-me das conversas com a Charlotta, com a Vivi, com a Shannon, com a Marie, com a Ivy, ou com as espanholas, e com os italianos...

Recordo-me dos jantares com os outros portugueses, do concurso de comida internacional, do jantar de natal, do festival da lua e dos jantares de crepes providenciados pelos franceses.

Recordo-me das festas na residência, das saídas para os bares, e do desafio que era subir para a bicicleta depois de algumas margeritas :-p, das noites para dançar no Alla.

Recordo-me dos filmes com o Victor, ou de ficar simplesmente a ouvir música.

Recordo-me do prazer que me dava deabular sozinha por aquelas ruas e sentir-me em casa, de entrar nas lojas por razão nenhuma, de ir ao supermercado e comprar uma caixa enorme de gelado, de cozinhar só pelo prazer de o fazer.

Foram tantos momentos.... São tantas as saudades, o desejo de voltar a partir...  A liberdade de que desfrutei ficou como uma marca profunda impressa na pele, que quando menos se espera exige a minha atenção.

Parti uma menina, habituada ao meu pequeno mundo, que sonhava desmesuradamente e me perdia nos livros de viagens, mas que sentia que nunca havia vivido nada. Voltei uma mulher mais segura, que sabe o que quer, que sabe que é capaz de se desembaraçar por si própria e que quaisquer que sejam as dificuldades ou os desafios, há uma maneira de os ultrapassar.

É por tudo isto, e principalmente por tudo aquilo que é impronunciável que digo constantemente façam erasmus, aceitem o risco de partir à descoberta, de encarar o desconhecido de frente e sorrir-lhe. Aceitem a chance de fazer com que a vossa vida valha a pena e vivam! Vivam intensamente, vivam cada segundo como se fosse o último, não hesitem!

Amei erasmus, e vou amá-lo sempre.

"Those were the best days of my life"

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