Seguimos percorrendo um carreiro à beira mar... seguimos com mente fixa no que nos espera mais à frente, mesmo que o nevoeiro tolde a nossa visão.
Por vezes hesitamos... colocamos o pé em falso, deixamo-nos afundar na areia... a vontade de avançar é pouca, mas temos sempre que seguir em frente, não podemos parar. Outras vezes queremos correr, para chegar mais depressa ou para nos afastarmos de uma parte do percurso menos agradável.
Por vezes desviamos o olhar do nosso destino, observamos as pegadas que deixámos, umas permanecem bem vincadas. Outras, a erosão provocada pelo mar, fez questão de apagar.
Em certas alturas do dia existem pessoas a caminhar a nosso lado, algumas permanecem connosco algum tempo, outras apenas um momento, mas qualquer que seja o caso, compreendemos que o seu percurso segue uma função independente, onde as variáveis são o tempo e a pessoa.
Por vezes estamos tão focados no que podemos encontrar adiante (será assustador? ou será melhor?) que percorremos todo o caminho sem ver, sem sentir, sem desfrutar, mesmo que o sol se ponha e volte a nascer, provocando reflexos de mil cores.
Por vezes os nossos pés apenas tocam a superficie da areia, outras mergulhamos de cabeça no maravilhoso mundo étereo.
Por vezes o chão debaixo das nossas solas é tão suave, outras magoa-nos dolorosamente. Ficamos com os pés em sangue, não conseguimos seguir em frente, mas há-de haver sempre alguém que passando por perto nos dá o seu ombro, envolto em coragem.
São inúmeras as rochas que podemos encontrar no caminho, mas são ainda mais as conchas, as pedras coloridas, as estrelas do mar, as freirinhas. Certamente encontraremos de tudo, mas no fim do caminho, e em cada momento, somos nós que escolhemos quais os itens a colocar no nosso balde de praia.
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