Tic, Tac, Tic, Tac... Marca o relógio, minuto após minuto, hora após hora, dia após dia. Vai marcando o compasso das nossas vidas qual maestro com a sua batuta. Tic Tac, são horas de acordar. Tic Tac, o tempo foge, corre para o metro, para o autocarro, para a escola, para o emprego. Tic Tac, a hora de almoço já chegou e já desapareceu entre conversas e cigarros. Tic Tac a volta para casa, Tic Tac hora de dormir e depois hora de acordar outra vez. Tic Tac Tic Tac Tic Tac. E assim o impiedoso relógio continua no seu ritmo desenfreado, e as nossas vidas passam como um filme onde alguém ligou o turbo inadevertidamente. Foge-nos o controlo dos dias, das horas, das semanas. O dia de hoje é igual ao de ontem, e o de amanhã em nada se distingue. Todos os dias as mesmas reuniões importantíssimas, os mesmos encontros inadiáveis. Qual foi o da semana passada, do mês passado? Já não me lembro. Sentimo-nos asfixiados, acorrentados à rotina dos dias sempre iguais. Somos escravos do tempo, mas há quem diga que somos livres.
Decididamente somos livres porque a nossa liberdade só acaba onde começa a dos outros, não é? Pois então tornemos-nos surdos ao barulho ensurdecedor do relógio: Tic Tac, Tic Tac. Cortemos as amarras que nos prendem cada movimento. Ah! Alívio!! Somos livres agora? Então e a sociedade ditadora que não hesita em julgar, sem sequer dar espaço a defesa? É dever de todo o cidadão trabalhar cinco dias por semana, constituir família ( com alguém do sexo oposto, como é óbvio), envergar luto em caso de morte de um familiar, ir aos Domingos à igreja católica, blá, blá, blá. Não esquecer o manual de normas de bom comportamento. E estas amarras podemos cortar? Não me parece. Todo e qualquer ser humano quer ser amado, sentir-se integrado. Porquê? Perguntem aos psicólogos... Mas a verdade é que não consegues fugir dos pais que esperam que tenhas boas notas, dos amigos que exigem que estejas lá para o que der e vier, do namorado que quer saber onde vais. Podes desiludi-los, baixar as expectativas. E depois?
Liberdade? Sim, talvez, não sei.
1 coisas que dizem por aí...:
Muito bom texto. Boa Filosofia. Após le-lo, tenho que te aconselhar a leres o livro Conversas para Deus, de Neale Donald Walsh. Existem 4 volumes, um deles é "para adolescentes" e é mais formato pergunta-resposta. Não te deixes enganar pelo nome do livro! Garanto-te que não te arrependes de o ler.
Beijo *,
Pedro