Toc Toc. Uma pausa. Pequena demais. Toc Toc Toc, uma e outra vez. O choro compulsivo da criança que finalmente havia adormecido após umas árduas horas em que a mãe desesperada se controla para não abanar o bebé.
Ela está furiosa. É um desrespeito. Para com ela. É directamente uma ofensa para ela. É gozar com a cara de quem passou horas e horas a embalar a criança.
Não espera mais. Vão ter que a ouvir. Não vão gostar, mas vão ouvir! Se ela tem que ouvir a criança a chorar, eles vão ouvir as ameaças jorrar!
Dirige-se decidida para a porta, passo rápido, cabelo em desalinho (como poderia estar o cabelo diferente depois de horas a embalar a criança! Para nada!!).
knock, knock. Abrem a porta:
- como se atrevem! São 22h30! Tenho uma criança. Vou fazer queixa ao condomínio!
Ela sente-se poderosa! Fez ameaças, expressou a sua fúria, aprendem que ninguém se mete com ela! E assim, mais aliviada, pode dirigir se a casa, lidar mais um pouco com a criança chorona.
Do outro lado deixou um conjunto de pessoas incrédulas, que lhe tentaram dar razão, mas que tentaram passar um ponto importante que ela não ouviu: o barulho não veio do apartamento em questão! Talvez do andar de cima…
E é assim que a senhora voltou para casa, mais aliviada, mas sem resolver minimamente o seu problema.
Mas não interessa, porque no fundo mais importante que o barulho cessar, é despejar em alguém a frustração que é ouvir a criança chorar uma, e outra vez.
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