Hoje vi uma nota que referia que tinha sido dada autorização para a criação da ordem dos psicólogos. Achei particularmente interessante esta notícia, depois de na última aula de ética termos discutido os objectivos e conflitos de interesses nestas instituições.
Inicialmente uma ordem é criada em casos em que os clientes de determinado serviço se encontram em grande desvantagem comparativa face ao prestador de serviços, como é o caso dos médicos, em que é a própria vida do cliente/paciente que está em causa. Dado o poder de um médico, é importantíssimo que existam regras que definam a sua conduta. No entanto, pela especificidade das funções desempenhadas, apenas outros médicos estão aptos para decidir se determinado médico está a agir correctamente ou não. Assim, o que acontece é que o estado delega nas ordens uma parte dos seus deveres de protecção aos cidadãos, neste caso em relação à classe médica.
No entanto o que é que se verifica na prática? Existem eleições para os bastonários das ordens, em que quem vota são os membros da ordem. Podemos então concluir que são os próprios avaliados que escolhem quem é que os vai avaliar? O que se tem verificado é que as ordens têm sido utilizadas para defender uma classe e não para defender o público em geral dessa mesma classe, como era o seu objectivo inicial. Um caso claro desta situação é a ordem dos economistas, em que se limita a defender os interesses dos seus associados ou será que já viram a ordem a tentar proteger as empresas ou a economia em geral dos seus economistas?
Com o passar do tempo vamos-nos habituando ao estado actual das coisas e já nem recordamos o objectivo com que foram criadas. Por vezes vale a pena dar um passo atrás e abrir os olhos para a irónica realidade.
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