Imaginem o ser humano. Estamos perante um ser extremamente complexo fisica e biologicamente, sabemos que o mesmo se integra na classe dos mamiferos. Estamos também conscientes da teoria da evolução de Darwin (que algumas igrejas que não quiseram reconhecer e que vieram a público recentemente fazer um pedido de desculpas). Segundo esta teoria as primeiras células tiverem origem no ambiente aquático, daí foram desenvolvendo-se dando lugar a seres multi celulares neste mesmo ambiente, dái aos anfibios, que se desdobraram em alguns seres apenas terrestres, outros voadores... Daí para a frente o romance da criação torna-se ainda mais complexo, pensamos nos dinossauros que quase foram destruidos por um meteorito, mas mais ainda, pensemos no presente na multiplicidade de espécies existentes: actualmente estima-se que existam entre 2.000.000 a 150.000.000 de espécies!!!! A vida no planeta terra é algo absolutamente fantástico cuja compreensão está tão longe do nosso alcance como está uma estrela da criança que estica a mão. Ainda assim acreditamos que tudo teve no origem no Big Bang , a grande explosão que deu origem à criação do universo, com todas as suas galáxias, sistemas, estrelas e planetas.
Quando jogamos no Euromilhões pensamos na pequena probabilidade que existe de sermos os sortudos com os números premiados. Agora se imaginarmos a quantidade de evoluções e mutações que houve na natureza, naquelas que foram mal sucedidas e cujas especies foram eliminadas, nos perigos que cada cria a cada momento correu até atingir o estado de vida adulta, chegamos à conclusão que já ganhámos a lotaria mais dificil de ganhar: a de existirmos. De existirmos enquanto espécie - homo sapiens sapiens, e de existirmos enquanto seres humanos com uma consciência do eu e do que nos rodeia.
Perante o fantástico e a improbabilidade que é a criação há uma questão que se impõe: ganhámos mesmo a lotaria ou existe um objectivo final na criação. Será que todo o longo percurso que foi percorrido ao longo da criação nos dirige para o momento em que há uma espécie que toma consciência do próprio universo? Ou será que o objectivo final é ainda maior e que apenas será possivel completá-lo em vários milhões de anos? Será que nessa altura havéra um ser com consciência que olhe para trás e que tire algum sentido de toda a nossa existência?
Como devem imaginar esta reflexão não apareceu do nada, mas teve origem num livro: Maya, o romance da criação de Jostein Gaarder. Estas são algumas das principais questões que atravessam o livro, pelo que o aconselho vivamente a quem aprecia este genéro de reflexões.
Deixo ainda algumas citações...
"Existe um mundo. Em termos de probabilidade, é algo que raia os limites do impossível. Teria sido muito mais fidedigno se casualmente não tivesse havido nada. Nesse caso, ninguém se teria posto a perguntar porque não havia nada".
"Quem pôde alegrar-se com os fogos de artifício cósmicos quando as filas de poltronas do firmamento se tinham enchido apenas de gelo e fogo? Quem pôde advinhar que esse atrevido primeiro anfíbio não só tinha percorrido de gatas um passo de gigante no longo caminho até à orgulhosa visão de conjunto do primata do princípio deste caminho? O aplauso à grande explosão só aconteceu quinze mil milhões de anos depois da explosão."
"Leva-se milhares de milhões de anos a criar um ser humano. E só uns segundos a morrer".
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