•segunda-feira, fevereiro 04, 2008
Estes últimos dias têm sido um pouco estranhos. Adeus após adeus a diversos amigos que vão começar agora a aventura Erasmus. Ainda há uns meses atrás estava eu a passar pelo mesmo e agora acabou. A expectativa do desconhecido, viver num país diferente, com uma língua e cultura diferentes. A expectativa de fazer amigos de todas as partes do globo, de viajar por diferentes países, das festas e noitadas. E parte assutadora: ter que falar constantemente inglês, ou espanhol e italiano para outros, ser avaliado numa língua que não é a nossa, num sistema de ensino que não conhecemos. E ao mesmo tempo que o desconhecido nos atrai e assusta como um precipicio, há algo que nos mantém ligados à vida que conhecemos. São os amigos e a família que ficam em Portugal, todo um mundo que conhecemos e onde nos sabemos como comportar, o que é certo e errado. Há um medo de que tudo o que conhecemos mude na nossa ausência, que deixemos de ser importantes para as pessoas, que simplesmente estejamos tanto tempo fora que os nossos amigos se habituem a viver sem nós. Mas para mim toda esta fase de expectativa já passou: tive medo, ansiei viver coisas novas e verifiquei o que era verdade e o que não era. Agora ficam apenas as saudades. Quando ouvimos alguém relatar as suas experiências enquanto aluno erasmus só ouvimos coisas boas: como foi giro conhecer pessoas novas, por vezes tão diferentes de nós próprios, como foram divertidas as saídas à noite e as viagens. Erasmus é uma temporada magnifica da vida de qualquer pessoa. Um tempo que nunca se vai repetir, cada dia é unico e há uma consciência apurada que não o vamos voltar a viver. A consciência de que talvez nunca mais vejamos cada uma daquelas pessoas com quem passámos tão bons momentos. Pessoas com as quais rimos, chorámos, nos lamentámos das dificuldades e festejámos nas vitórias. Pessoas que findo o período predeterminado voltam para as suas vidas, assim como nós. Ficam as recordações dos bons momentos, as conversas no msn, as cartas e uma viagem ou outra para visitar os amigos mais chegados e que não moram em paragens tão longínquas. Todos estes aspectos são incrivelmente bons e são estes que guardamos connosco. Daí poder surgir o espanto, a sensação de solidão quando alguém que parte para Erasmus se sente sozinho nos primeiros dias, quando chora com saudades de casa, quando parece que não se encaixa... Parece que todos se divertem que nós somoes estranhos já que somos os únicos que não conseguimos apreciar a experiência. Mas a verdade é que todos passamos por isso. Aqueles momentos em que apesar de não estares sozinho te sentes só. As saudades tomam proporções avassaladoras e achas que não vais aguentar. Mas é nesse momento em que estás no fundo do poço, do qual pensas que não podes sair que aparece alguém que com um sorriso, uma palavra te ajuda e a seguir tudo ganha outras cores. Estes momentos menos bons são ultrapassados, mas os bons permanecem. Ficam as amizades mais profundas que construiste com as pessoas que te ajudaram a ultrapassa-los. E quando for a tua vez de relatares a tua experiência erasmus, também vai subsistir apenas o que de bom aconteceu. Os maus momentos? todos os temos, eles existem para darmos mais valor aos bons :-) Por isso uma nota para os que partem: não se deixem abater, há sempre algo bom à nossa espera ao virar da próxima esquina :-) Se as coisas mudam enquanto estamos ausentes? Definitivamente, crescem amizades que não existiam antes, surgem uns namoros e acabam outros, mudam uns professores, saem novas leis. Mas até que ponto isso afecta o papel que nós temos na vida dos nossos amigos? Sinceramente não sei se tanto assim, se calhar vocês responderiam melhor a esta pergunta que eu. Mas a minha sensação é que este tempo ausente me fez perceber melhor a importância das pessoas na minha vida, e acho que o mesmo aconteceu no sentido oposto. É claro que não estiveste presente em muitos momentos, o que pode ser um tanto ao quanto estranho, mas em compensação viveste outros que não trocarias por nada. Momentos que te mudaram, não só a tua maneira de ser mas também a tua maneira de ver o mundo. Podes encontrar algumas dificuldades em adaptar os novos aspectos da personalidade ao mundo que sempre conheceste, nomeadamente uma independência recentemente adquirida. Mas também desenvolves outras capacidades que te ajudam a lidar com isso, como a tolerância e a consciência de que as diferenças não são um obstáculo para estabelecer uma relação.
Ao fim ao cabo, Erasmus é uma experiência revolucionadora na vida de uma pessoa, o que justifica completamente o medo inicial. Mas a finda a experiência, não restam arrependimentos, apenas a pena por já ter acabado e por esses tempos não voltarem mais....
Por isso aproveitem enquanto dura...
Ao fim ao cabo, Erasmus é uma experiência revolucionadora na vida de uma pessoa, o que justifica completamente o medo inicial. Mas a finda a experiência, não restam arrependimentos, apenas a pena por já ter acabado e por esses tempos não voltarem mais....
Por isso aproveitem enquanto dura...



1 coisas que dizem por aí...:
Em relação ao teu texto tenho duas coisas a comentar:
1.º Continuas na minha vida :P
2.º Vou ter que ir refazer a minha maquilhagem de carnaval...